terça-feira

Ungaretti: Condenas com fantasia

...
Por que as aparências nunca duram?
...
Se te toco, graciosa, gelas horrenda,
enudeces a idéia e, muito mais cruel,
nesse mesmo momento,
não desiludido, me ligas com outra pena.
...
Por que crias, mente, corrompendo?
Por que te escuto?
...
Qual o segredo eterno
que sempre me prenderá em ti?
...
Te sigo, te procuro,
renovo a ladeira, não repouso,
e inclusive, não mais cansada, na tempestade,
oh a enlanguecer escolhos,
condenas com fantasia.
...
Silêncios trépidos, infinitos impulsos,
corridas, geladas queimaduras, titubeações,
e desgarramentos, riso, inquietos lábios, frêmito,
e delírios clamantes
e abandonos espumantes
e glória intolerante
e numerosas solidões,
a vossa, eu sei, não é luz verdadeira,
...
mas teríamos vida sem o teu variar,
culpa feliz?
...

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Carlos:
Não ouso comentar o poema do Ungaretti...Afinal, sinto-me pequena diante da poesia dele. Mas, digo que é sempre um imenso prazer, caminhar por tuas letras. Estar entre os teus favorivos, faz-me sentir honrada. Obrigada!
Deixo beijo...

Míriam Monteiro - Meu Porto
http://migram.blog.uol.com.br

5/11/05 20:04  
Anonymous Dira said...

mel do melhor, é simplesmente bárbaro. bárbaro! Volto pra te linkar. Abração, poeta!

7/11/05 11:20  

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