segunda-feira

O Mel do Melhor 20: Eugénio de Andrade





A vigésima edição de O Mel do Melhor apresenta a rica prosa poética de Eugênio de Andrade, falecido em junho de 2005. São sete textos do livro Memória do outro rio (1976-7). São águas de um dos maiores poetas de todos os tempos, de fonte e origem.


Dizem que você é muito duro nos seus juízos sobre os poetas jovens. É verdade?

Sim, é exacto. A juventude não precisa de piedade, mas de verdade. Há muito jovem que me pede ajuda onde não há ajuda possível, pois ninguém pode viver por eles a sua própria vida, remontar às fontes do ser. Porque a poesia é a perpétua procura dessas águas. Quando não é isso, é uma inútil cantilena com que se embalam as horas, com que alguns espíritos superficiais iludem a vida. Num tempo degradado como o nosso, todas as fontes estão ocultas. A tarefa do poeta é desocultá-las. Tudo o que nos saia das mãos sem este sabor original são só palavras a mascarar
a palavra, miséria que impede até de ouvir a magnífica e alta música do silêncio.

1 Comments:

Blogger reflexoes depois said...

Sim, poesia o é... Um abraço

16/4/06 11:05  

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